
Daniel Santiago Chaves/ Pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, UFRJ
Talvez Cuzco tenha sido a cidade mais esperada e mais abraçada de toda a viagem. Adequamos-nos rapidamente e fomos acolhidos com enorme carinho e entusiasmo pela população local.
Cuzco é uma cidade cosmopolita, antiga, de arquitetura muito singular - remete à arquitetura sevilhana do século XVI, ainda que seja construída com as pedras dos antigos tempos incas. Alguns dizem que lembra uma cidade europeia; no entanto, é mais aproriado chamá-la de Cuzco. Ou melhor, Qozco - a capital do Tahuantinsuyo, o Império Inca. O “umbigo do mundo” em quíchua.
Essa cidade, a mais antiga em atividade consecutiva nas Américas desde o século XVIII, tem, na Plaza de Las Armas, no comércio abundante, na população carente e nos turistas frenéticos, as suas maiores características. Não é difícil verificar a insatisfação silenciosa da cidade que denuncia, em grafites nas paredes, a opressão contra a região de Abancay, formada por um povo jovem, agitado, sincero e hospitaleiro.
Hoje notada como a cidade mais simbólica dos novos movimentos sociais originários no Peru andino, muito próxima à Bolívia, pode ser a matriz histórica e moral de futuros governos que representem a civilização autóctone originaria.


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