
Daniel Santiago Chaves/ Pesquisador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, UFRJ
Dia a dia, percorremos largas e diferentes distâncias até conhecer o interior do Peru, país vizinho que almejavamos tocar e mergulhar. Em alguma parte do trajeto, insólita, o percurso nos remeteu a uma estrada incaica, milenar, onde passam caminhões e pequenos córregos, que às vezes, por conta da chuva, não ficam tão pequenos assim.
No meio do caminho, alcançar uma cidade escondida no interior da Amazônia peruana, aos pés da Cordilheira dos Andes, foi brindado como surpresa, em meio a nossa subida rumo à terra originária incaica. Pequenos casebres atestam a precariedade total de vida. Luz elétrica, somente por gambiarra ... Para então chegar a Masuko.
Masuko é uma grande experiência à noite, quando é fervilhante, estranhamente cheia, iluminada, surpreendente - ou de dia, quando é calorenta, comercial, espia pelas frestas, cheia de crianças e idosos.
Masuko é, acima de tudo, cinematográfica. Poetas, políticos, motoqueiros, caminhoneiros, transeuntes, moças, senhores, comércios e barracas em uma cidade à beira da Estrada Interoceânica que corta a selva, a cordilheira e vai à direção do Oceano Pacífico. Pequena, diferente, sintomática, mas não menos viva, pulsante e inesquecível.


Veja mais no site tempopresente.org